domingo, 19 de maio de 2013

10

Primeiro, você se retira. Não consigo abrir mão. Orgulho, talvez uma ilusão boba de que sou, de alguma forma, especial.

Segundo, você se cala. Não consigo não falar nada. Escrevo, mando, está feito. Parece que as palavras brotam como se uma represa tivesse suas comportas abertas.

Terceiro, você se retrata. Minhas intenções interpretam as suas. Acredito.

Quarto, você retoma. Pareço feliz, tudo volta ao normal, você tem o controle novamente.

Quinto, você promete. Me sinto aliviada, vou relembrar como você é, o cheiro que você tem, quão quente é a parte de trás do seu pescoço.

Sexto, você me declina. Quero entender, não consigo ter paciência, eu me entrego às confusões de um âmago convenientemente bipolar, coisa de ocasião.

Sétimo, eu me rebelo. Você não entende, esperava a ilusão de perfeição, de descomplicação. Foi demais pra mim, pesado, não consigo ser quem você quer.

Oitavo, você se elimina. Eu choro.

Nono, eu tento. Você, cínico.

Décimo. Em dez segundos acabei com tudo, com o resto que tinha. Não quero lembranças, não quero ter saudade do que nunca tive.

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